O IHE Espanha (http://www.ihe-e.org) já atua no seu país a mais de 15 anos, desde 2004, tendo como principal desafio a implantação nacional dos processos do IHE. A associação, assim como no Brasil, tem articulado suas ações em conjunto com a Sociedad Española de Informática en Salud (SEIS – https://seis.es/) y o HL7 Spain (http://www.hl7spain.org/).

Com o intuito de trazer um pouco dessa experiência para o Brasil, nosso User co-chair do IHE Brasil, Rodrigo Gaete, a partir de um Doutorado Sanduíche na Espanha, se encontrou em Maio de 2019, com a Diretora Técnica do IHE Espanha, Profa. Paula de Toledo da Universidad Carlos III, para conversar sobre a situação atual e perspectivas do IHE España.

A Espanha tem uma organização do seu sistema de saúde bastante plural em termos de autonomia e estruturação da e-Saúde. Esta organização demanda articulações entre as 17 comunidades autônomas do país, o Ministério da Saúde, as ações da Comissão Européia e as diversas iniciativas locais de prestadores de serviços públicos e privados.

Profa. Paula nos conta que os desafios da e-Saúde na Espanha, para além da disseminação do conhecimento, está no processo de financiamento das instituições que atuam como suporte para garantir os avanços nacionais. Em geral essas instituições concorrem pelos mesmos recursos, que na grande maioria tem origem em projetos em nível governo. Para Paula, o futuro da e-Saúde está na organização do governo como grande articulador e financiador das ações junto as instituições, como já ocorre, por exemplo, na França e em Portugal.

Apesar dos desafios, a Espanha tem avanços consistentes no uso de Perfis IHE, especialmente em: Radiology, IT Infrastructure (Document sharing XDS-XCA), Pathology e Patient care devices. Dentre as comunidades autônomas, em destaque estão a comunidade de Valência, Andaluzia, Galícia, Ilhas Baleares, Castilla-La mancha, Castilla y Leon, y Extremadura. Para além da própria infraestrutua nacional, projeto liderado pelo Ministerio da Saúde da Espanha e o da infraestrutua utilizada pelo Projeto epSOS da Comissão Europeia (https://www.ihe-europe.net/testing-IHE/projectathons).

O epSOS Large Scale Pilot, por exemplo, não apenas desenvolveu, mas também testou uma infraestrutura para troca de informações de pacientes, serve como um plano para o intercâmbio transfronteiriço de informações sobre saúde na União Européia. Os Perfis IHE formam o coração da arquitetura utilizada no projeto, o que garantiu escalabilidade e expansibilidade e uma adoção instantânea por usuários e fornecedores de serviços de saúde.

A partir da criação e estruturação do IHE Europe, este é quem vem liderando e orquestrando a implantação dos perfis nos países da Europa, com o apoio dos vários comitês de implantação nacional (https://www.ihe-europe.net/participate/national-initiatives).

IHE-Europe Connectathon
IHE Connectathon – Rennes, France – 2019

Na Europa, outra conquista importante foi a identificação oficial pela Comissão Européia de 27 Perfis IHE para compras públicas. A implicação é que, nos processos de aquisição de sistemas de e-Saúde em todos os níveis, locais e europeus, a conformidade com a IHE será necessária. Isso funcionará como um catalisador para os fornecedores adotarem esses perfis IHE, tornando a e-Saúde em toda a Europa cada vez mais interoperável.

Conhecer a experiência do IHE España, bem como do IHE Europe, com seus desafios e conquistas, nos ajudará a seguir com a implantação dos Perfis IHE no Brasil de forma mais consistente, e com excelentes perspectivas de alcançar a interoperabilidade de sistemas de saúde.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *